7 de outubro de 2009

CARNAVAL/PE 1

Postado por célia ferrer às 12:20:00
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PAPANGUS

Os papangus do carnaval de Bezerros, cidade do agreste de Pernambuco (107 quilômetros do Recife) são uma tradição centenária. Segundo o professor Ronaldo J. Souto Maior, fundador do Instituto de Estudos Históricos, Arte e Folclore dos Bezerros, a origem dos Papangus de Bezerros data de 1881: “o papa-angu nasceu de uma brincadeira de familiares dos senhores de engenhos, que saiam mascarados, mal vestidos, para visitar amigos nas festas de entrudo – antigo carnaval do século dezenove –, e comiam angu, comida típica do Nordeste (agreste) pernambucano.


Por isso, as crianças passaram a chamar os mascarados de papa-angu”*. Há versões populares sobre a origem desses personagens no carnaval de Bezerros. Uma, vem de uma história muito antiga: dois irmãos que comiam muito angu, resolveram cortar as pernas das calças e cobrir o rosto com capuz para não serem reconhecidos, mas o disfarce não funcionou. Foram descobertos pela gula.

Outra, é que, no século 19, os mascarados ganharam esse nome depois que uma senhora resolveu preparar angu de xerém para alimentá-los.
Antigamente o papangu tinha a máscara confeccionada com coité (cuia do fruto), cuja pintura era feita com azeitona preta, açafrão e folha de fava. Possuía chocalhos ao redor da roupa, que era enfeitada com palha de banana e na mão levava um maracá de coco seco com pedra dentro. Atualmente, a matéria–prima usada nas máscaras é o papel colé e maché.



Os papangus vestem túnicas compridas, dos pés à cabeça, colocam as máscaras para ficarem totalmente cobertos, pois a meta é se esconder, ganhando a farra sem ser identificados.
Antes de cair na folia, costumam comer angu, que é normalmente fornecido pelos moradores locais. Quando vai chegando a época próxima do carnaval, os foliões procuram confeccionar suas fantasias em segredo, para não correrem o risco de ser desmascarados antes da festa. Em Bezerros, a cultura do papangu é vivenciada durante o ano inteiro, através das oficinas de máscaras, da culinária desenvolvida com variados pratos feitos com angu, além das oficinas de dança e música carnavalesca.





A BICHARADA


SALGUEIRO

Criatividade, irreverência e animação dão o tom para a mais antiga troça carnavalesca do Sertão do Estado entrar em cena pelas ruas e avenidas de Salgueiro, sempre como uma atração respeitada durante os quatro dias de Momo.


Criada há meio século pelo artesão, alfaiate, músico e seresteiro Jaime Alves Concerva, a Bicharada continua resistindo, apesar de modismos como o axé-music. O próprio carnavalesco é uma atração à parte ao espalhar seu “bloco-troça”, como gosta de chamar, no corredor da folia, atraindo gente de todas idades. Desde o sábado de Zé Pereira, todas as tardes a cidade fica mais animada quando a fauna da Bicharada, agora misturada com máscaras humanas, desfila ao som de frevos e marchinhas até o anoitecer.


"Carnaval é vida, é alegria, é o combustível que sempre me deu força de vontade pra viver. Quando a folia chega, fico em eterno estado de euforia", costuma dizer o carnavalesco.


A brincadeira começou com a representação de bichos, daí o nome do bloco, em 1946. "Fazia máscaras de girafas, macacos, onças, leões, jacarés. Depois ouvi falar dos bonecos gigantes de Olinda e resolvi fazer igual", comenta o artista que na última década tem trocado os bichos por figuras de pessoas anônimas.


O VICE-PREFEITO DE SALGUEIRO DR. CACAU NO BARRACÃO DE MESTRE JAIME


EU E MESTRE JAIME



Cerca de 30 blocos são responsáveis pela animação dos festejos de Momo na cidade, dentre eles o Bloco de Zé Pereira, tradicional nos sábados de carnaval, e os Insetos, Maluco Beleza, Cururu S/A, Só Zueira, e o Bloco do Curtume.

O carnaval de Salgueiro também possui outras manifestações populares de referência como a Dança do Trancelim, destaque dos remanescentes quilombolas de Conceição das Crioulas e a manifestação do toré, que valoriza a cultura indígena, pastoril e o bumba-meu-boi.




BONECOS GIGANTES DE OLINDA

Olinda é uma cidade tradicionalmente conhecida pelo seu carnaval de rua, pela participação do povo nos blocos, clubes e troças. Entretanto, são os bonecos gigantes que constituem uma atração à parte no carnaval de Olinda. Segundo Bonald Neto, a participação dos bonecos gigantes no carnaval é muito antiga. Já em 1919, a figura do Zé Pereira, criada pelo folião Gumercindo Pires de Carvalho, animava o carnaval de Belém de São Francisco, cidade do sertão pernambucano. Em 1929, Gumercindo criou uma boneca gigante para companheira de Zé Pereira, que chamou de Vitalina.


Ao longo dos anos, foram surgindo outros bonecos. Em Olinda, o popular Homem da Meia-Noite surgiu em fevereiro de 1931, quando um grupo de associados, descontentes por não terem sido contemplados na chapa oficial da diretoria da troça O Cariri, criou o que seria, então, um dos mais conhecidos bonecos gigantes foliões de Olinda: o Homem da Meia Noite, confeccionado pelo marceneiro entalhador Benedito Barbaça e pelo pintor de parede Luciano de Queiroz, que era conhecido pelas suas habilidades na manipulação das cores das tintas, das massas e dos pincéis.

O Homem da Meia-Noite original pesava cerca de 50 quilos e tinha 3,50m de altura. Sua estrutura era em madeira, a cabeça, o busto e as mãos eram modeladas em papel gomado, com acabamento de massa de parede e depois pintadas na cor de pele humana. Os braços eram recheados de palha de colchão e os punhos e as mãos continham certa quantidade de areia para pesar e mantê-los em posição quando das evoluções do gigante folião no passo do frevo.




A pessoa que dá vida ao boneco, carrega-o na cabeça apoiado em almofada existente na base da estrutura de madeira. A cintura do boneco é localizada na altura dos olhos do carregador, que se orienta através de pequena abertura na braguilha da calça do boneco, que fica amarrada na cintura por debaixo do paletó. Muitos anos depois, surgiu uma companheira para o Homem da Meia-Noite. Em 1967, os foliões Rodolfo Medeiros e Luiz José dos Santos tiveram a idéia de criar a Mulher do Dia.

O artesão Julião das Máscaras modelou então a risonha boneca conhecida também como Monalisa, que mede 3,40m de altura e pesa 40 quilos. Para confecção de seu vestido se gasta, em média, 24m de tecido, muitos colares, brincos e enfeites de cabelo.
Em 1974, Ernane Lopes e Odival Olbino resolveram fundar uma troça carnavalesca e combinaram com Julião das Máscaras para fazer o boneco que representaria a troça. Surgiu então o Menino da Tarde, que cai no frevo, na tarde do sábado de carnaval, arrastando milhares de foliões até à noite, quando se recolhe.



Ainda na década de setenta, por sugestão de Dalma Soares e confecção de Sílvio Botelho, surge outra boneca gigante: a Menina da Tarde. Daí em diante, na década de oitenta, os bonecos gigantes do carnaval multiplicaram-se não só em Olinda, mas também no Recife e outras cidades de Pernambuco. Todavia, foi em Olinda que aconteceu uma verdadeira explosão demográfica dos bonecos gigantes foliões: artistas, políticos, personalidades intelectuais, tipos populares ou figuras fantásticas tradicionais.



Destacam-se alguns gigantes foliões relacionados por Bonald Neto: Zé Pereira, Lampião, Barba Papa, Seu Malaquias, Fofão, Tabaco, Boneco pé inchado, Tarado da Sé, Gilberto Freyre, Carlitos, John Travolta, Capitão Alceu Valença, Paralelo, Manuel Bombardino, Gonzagão, o Guarda noturno, o Carteiro, D. Olinda Olindamente Linda, Mãe Olinda, Maria Bonita, Homelhada, Galega de Olinda, Nordestina, o Perequito, o Urso, o Jacaré.



Os bonecos gigantes foram também representados em selo. A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos lançou, em 1991, a primeira série dos selos comemorativos denominada Carnaval Brasileiro, incluindo reproduções do Homem da Meia Noite e da Mulher do Dia, entre outros elementos do carnaval da Bahia e do Rio de Janeiro
.
Os carismáticos bonecos gigantes exercem grande fascínio sobre os foliões. Os artistas de Olinda, com sua arte dão vida e alma a tantos bonecos gigantes foliões que são a cara do carnaval de Pernambuco.



MARACATU

MARACATU DO BAQUE VIRADO OU MARACATU NAÇÃO

Segundo Ascenso Ferreira, as festas em honra dos Reis Magos foram instituídas no Brasil pelos missionários catequistas, que encontraram nas cores distintas que caracterizavam aquelas figuras da história do Nascimento de Jesus, um ponto para a conversão dos elementos indígenas e negros à fé cristã. O Rei Bronzeado para os caboclos, o Rei Negro para os negros importados da África e o Rei Branco como elemento de adoração dos portugueses. O Rei negro era Baltazar e a ele seguiram-se adeptos, em sua grande maioria da raça negra, e nos seus cortejos são encontradas as origens do nosso atual Maracatu de Baque Virado ou Nação.

A partir de 1888, a coroação dos Reis do Congo, perdeu a sua razão de ser, pois, não existia mais a necessidade daquela "autoridade" para manter a ordem e a subordinação entre os negros que lhe eram sujeitos. Era no pátio das igrejas que se realizava a coroação dos Reis Negros, cujo cortejo, evoluindo através dos tempos, chegou até nossos dias, destacando-se do grupo das festas de Reis Magos (bumbas-meu-boi, cheganças e pastoris) e entrando para os festejos carnavalescos. A palavra Maracatu, provavelmente, origina-se de uma senha combinada para anunciar a chegada de policiais, que vinham reprimir a brincadeira, a senha era anunciada pelos toque dos tambores emitindo o som: maracatu/maracatu/maracatu.


Na linguagem popular, a palavra maracatu é empregada para expressar confusão; desarrumação; fora de ordem, dando respaldo ao pressuposto da origem dessa palavra. Na África não existe nada parecido com o nosso maracatu.


O Maracatu de Baque Virado ou Nação, tem como seguidores os devotos dos Cultos Afro-brasileiro da linha Nagô. A boneca usada nos cortejos chama-se Calunga, ela encarna a divindade dos orixás, recebendo em sua cabeça os axés e a veneração do grupo. A música vocal denomina-se toadas e inclui versos com procedência africana. Seu início e fim são determinados pelo som de um apito. O tirador de loas é o cantador das toadas, que os integrantes respondem ou repetem ao seu comando. O instrumental, cuja execução se denomina toque, é constituído pelo gonguê, tarol, caixa de guerra e zabumbas.



É formado pelas seguintes figuras: rei, rainha, dama-de-honra da rainha, dama-de-honra do rei, príncipe, princesa, ministro, embaixador, duque, duquesa, conde, condessa, vassalos, damas-de-paço (que portam as calungas durante o desfile do maracatu), porta-estandarte, escravo sustentando a umbrela ou pálio (chapéu-de-sol que protege o casal real e que esta sempre em movimento), figuras de animais, guarda-coroa, corneteiro, baliza, secretário, lanceiros, brasabundo (uma espécie de guarda costa do grupo), batuqueiros (percurssionistas), caboclos de pena e baianas.



MARACATU DE BAQUE SOLTO OU MARACATU RURAL

o Maracatu de Baque Solto, também chamado de Maracatu de Orquestra ou Rural, tem suas origens na segunda metade do século passado e deve ser uma transfiguração dos grupos chamados Cambindas (brincadeira masculina, homens travestidos de mulher). Os Maracatus de Baque Solto são uma espécie de fusão de elementos dos vários folguedos populares, que vêm às ruas das cidades próximas aos engenhos de açúcar como: Goiana, Nazaré da Mata, Carpina, Palmares, Timbaúba, Vicência, etc., durante o carnaval, com características e colorido próprio, garantindo sempre a presença nos carnavais do Recife.


O cortejo do Maracatu de Baque Solto, diferencia-se primeiramente do maracatu tradicional, pela ausência do rei e da rainha. Um ritmo rápido de chocalhos, percussão unissonora e acelerada do surdo, acompanhada da marcação do tarol, do ronco da cuíca, da batida cadenciada do gonguê, do barulho característico dos ganzás, um solo de trombone, e outros instrumentos de sopro que, juntos, dão ao conjunto características musicais próprias e bem diferenciadas dos maracatus tradicionais.


O maracatu desfila num círculo compacto, tendo ao centro o estandarte, rodeado por baianas, damas-de-buquê com ramos de flores de goma, boneca (calunga) de pano ou plástico e caboclos de pena. Rodeando este primeiro círculo vem os caboclos de lança, que se encarregam de abrir espaço na multidão, com seus saltos e malabarismos, com as compridas lanças, como a proteger o grupo e as lanternas de papel celofane que, geralmente vem representando o símbolo da agremiação.



Com suas lanças de mais de dois metros de comprimento, feitas de madeira com uma ponta fina e uma enorme cabeleira de papel celofane cobrindo o chapéu-de-palha, o rosto tingido de urucum ou por outras tintas, lenço estampado cobrindo a testa, camisas e calças de chitão, meiões e sapatos de lona, o Caboclo de lança tem o destaque de sua indumentária na gola bordada e no surrão.

A gola de sua fantasia, feita em tecido brilhante, de cores vivas, é totalmente rebordada com vidrilhos e lantejoulas. A gola representa o maior orgulho e a vaidade do caboclo de lança, sendo quase sempre confeccionado por sua companheira, durante o ano inteiro, sendo fruto de todas as suas economias.

O Surrão é como se fosse uma bolsa, é confeccionado em couro de carneiro, cobrindo uma estrutura de madeira, onde são presos chocalhos, sendo colocado na altura das nádegas, daí também chamar-se estas figuras de Bunda-alegre e Bunda-de-guiso, provocando um barulho forte e primitivo quando da evolução dos caboclos de lanç
a.



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